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	<title>Na Estrada e ao Vento &#187; Cidade</title>
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	<description>Correndo para o futuro, mas apreciando a calmaria</description>
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		<title>Campanha estúpida da CET</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Oct 2006 03:59:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>inaciog</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[A campanha de &#8220;conscientização no trânsito&#8221; sendo veiculada na televisão pela CET é, provavelmente, a mais equivocada e burra que eu já vi em campanhas do tipo. O slogan da campanha é &#8220;Respeite o próximo, ele pode ser você&#8221;. Dois dos  quatro vídeos podem ser vistos nos links abaixo: Pedestre Motoqueiro As propagandas mostram motoristas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img alt="Faixa de pedestres" id="image131" src="http://www.nacio.com.br/blog/wp-content/uploads/2006/10/faixapedestre.jpg" /></p>
<p>A campanha de &#8220;conscientização no trânsito&#8221; sendo veiculada na televisão pela CET é, provavelmente, a mais equivocada e burra que eu já vi em campanhas do tipo. O slogan da campanha é &#8220;Respeite o próximo, ele pode ser você&#8221;. Dois dos  quatro vídeos podem ser vistos nos links abaixo:</p>
<p><a target="_blank" href="http://emi.qblog.com.br/cidadania_e_transito_em_sao_paulo">Pedestre</a></p>
<p><a target="_blank" href="http://emi.qblog.com.br/cidadania_e_transito_em_sao_paulo_2">Motoqueiro</a></p>
<p>As propagandas mostram motoristas e motociclistas agindo de forma irresponsável, e quase atropelando uma pessoa que, quando páram para ver direito, são elas mesmas. E em seguida, o slogan é enunciado: <em>Respeite o próximo, ele pode ser você</em>.</p>
<p>Ou seja, a mensagem passada é clara: a única pessoa que importa é você mesmo. O que levaria você a se comportar bem no trânsito é que você pode ser o acidentado.</p>
<p>Mas qual é o real motivo para o comportamento irresponsável no trânsito? É exatamente esse raciocínio egoísta de isolamento e de total falta de senso comunitário que é carimbado por essa campanha. É a atitude de isolamento dos outros e do ambiente ao redor exaltado também pelas propagandas de carros e dos insulfilmes. A mesma dos condomínios de luxo criados de forma a isolar ao máximo as pessoas do resto das pessoas e cidades. Enfim, a cultura que diz que a pessoa e, no máximo, sua família, é sagrada, e o resto dos ambientes e pessoas um incômodo desagradável, do qual se busca cada vez mais o isolamento.</p>
<p>Por que não mostrar como seria o trânsito se todos fossem mais solidários no trânsito? Um carro parando para um pedestre atravessar na faixa onde não há um semáforo de pedestres, sendo o gesto retribuído por um sorriso? Um carro dando preferência a um outro num cruzamento que, mais tarde mostraria tratar-se de uma mulher indo ao hospital dar a luz a um bebê?</p>
<p>É muito triste ver que as pessoas que são as responsáveis pelo trânsito da cidade têm essa visão míope, equivocada<br />
e estúpida da cidadania no trânsito.</p>
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		<title>Uma verdadeira revolução</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Sep 2006 21:03:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>inaciog</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Câmara aprova proibição de outdoors em SP a partir de 2007 É difícil de acreditar ainda, mas essa foi a notícia do dia. Trata-se de um passo enorme na direção certa. O projeto foi aprovado por 45 votos contra 1. O vereador que votou contra foi Dalton Silvano (PSDB). Paradoxalmente, ele foi o autor do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a target="_blank" href="http://ultimainstancia.uol.com.br/noticia/31901.shtml">Câmara aprova proibição de outdoors em SP a partir de 2007</a></p>
<p>É difícil de acreditar ainda, mas essa foi a notícia do dia. Trata-se de um passo enorme na direção certa. O projeto foi aprovado por 45 votos contra 1. O vereador que votou contra foi Dalton Silvano (PSDB). Paradoxalmente, ele foi o autor do projeto que institui o Dia Municipal sem Carro.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>De graça é melhor</title>
		<link>http://www.nacio.com.br/blog/2006/08/10/de-graca-e-melhor/</link>
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		<pubDate>Fri, 11 Aug 2006 02:08:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>inaciog</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Matéria publicada no Correio Braziliense de 2 de Agosto de 2006: &#8220;É bom,muito bom para ser verdade”, pensou o engenheiro carioca Inácio Gerberoff, 26 anos, quando se deparou com o endereço www.hospitalityclub.org.Mesmo em tempos de real valorizado, ir para o exterior é caro para os turistas brasileiros. E num mundo capitalista a idéia de viajar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Matéria publicada no Correio Braziliense de 2 de Agosto de 2006:</p>
<blockquote><p>&#8220;É bom,muito bom para ser verdade”, pensou o engenheiro carioca Inácio Gerberoff, 26 anos, quando se deparou com o endereço www.hospitalityclub.org.Mesmo em tempos de real valorizado, ir para o exterior é caro para os turistas brasileiros.</p>
<p>E num mundo capitalista a idéia de viajar e não ter que pagar pela hospedagem — que corresponde em média a um terço do orçamento — é muito convidativa, ou, mais precisamente, quase surreal. Mas para quem já descobriu a mina, não ter que pagar por hotéis e albergues torna o sonho de dar a volta ao mundo com a mochila nas costas e sem prata no bolso real. Mais do que gratuito, o jeito de viajar sendo recebido por nativos, em suas casas, é uma filosofia de vida que tem se espalhado ao redor do globo com a ajuda da internet. Ver o lugar que se visita com os olhos de seus próprios habitantes é, para os adeptos da modalidade, muito mais importante do que não pagar hotel. “A experiência muda completamente. Você tem uma imersão na cultural local, e isso não tem preço”, explica Karina Galindo, estudante que falou com o Correio da Tunísia, onde deve passar duas semanas.</p>
<p>A estudante já conheceu 15 países, no norte da África e na Europa, hospedando-se na casa de usuários do Hospitality Club. Mas além dessa comunidade, há outras com a mesma filosofia: hospedar e ser hospedado ao redor do mundo. “Dar e receber é o que faz o sistema funcionar”, explica no site Adam Staines, australiano de 24 anos que fundou o www.globalfreeloaders.com. Mesmo que a maior parte dessas comunidades não tenha regras explícitas ou não imponha aos usuários nenhuma obrigação, o acordo tácito entre os usuários é o de retribuir o que os anfitriões fizeram por você, hospedando os demais integrantes do site. Com Inácio, a experiência de hospedar um casal de franceses veio antes de ficar na casa de alguém. “Foi muito interessante. Morava numa república e tive que convencer meus amigos a recebê-los. A experiência foi ótima, meus amigos adoraram e depois hospedei mais um casal da Alemanha, sem oposição nenhuma dos colegas”, explica.<br />
A retribuição veio meses depois, quando viajou para um congresso na Europa e conseguiu um anfitrião em Amsterdã, na Holanda, onde passou cinco dias. “Fiquei impressionado. Dormi num quarto confortável, ele me emprestou a chave de sua casa e até sua bicicleta”, conta. Inácio ainda se corresponde por e-mail com ele e com os casais de alemães e franceses que ficaram na sua casa no Brasil. “Em retribuição pela excelente recepção, deixei meu quarto impecável e comprei<br />
um presente para ele”, completa.</p>
<p><strong>Perfil compatível</strong><br />
Nem tudo são flores no negócio de ficar hospedado de graça no exterior. No fórum do site www.freeloaders.com.br estava lá, em letras garrafais, um testemunho de um anfitrião que ficou chateado com a cara-de-pau de um hóspede. “Ele me pediu para que eu o pegasse no aeroporto, e disse que preferia usar minha toalha e não a dele. Chegou sem saco de dormir e me tratou com uma enorme falta de consideração e realmente agiu como se a minha casa fosse um hotel gratuito. Nunca o hospedaria de novo”, reclamou o usuário.</p>
<p>Para evitar decepções, o ideal é checar o currículo do candidato a hóspede antes de dizer sim. “É importante dar uma olhada no perfil dele e nos testemunhos que escrevem sobre ele no site”, aconselha Inácio. É possível que por meio de uma simples análise do perfil, seja possível identificar os espertinhos que estão interessados apenas em se aproveitar da solidariedade alheia.</p>
<p>Ele já chegou a recusar dois hóspedes por achar que o perfil não combinava com o dele. “Um dos candidatos disse que adorava futebol e queria experimentar isso no Brasil. Como eu sou péssimo no esporte, achei que não valia a pena”, explica o engenheiro, que tem cadastro em pelo menos cinco comunidades virtuais do gênero.</p>
<p>A preocupação com a segurança não foi um grande problema para Inácio ou Karina. “Não temos como saber nem se um amigo íntimo está falando a verdade, que dirá uma pessoa que nunca vimos. Mas prefiro dar um voto de confiança. O clichê todo mundo é inocente até que se prove o contrário é bastante válido nessas horas”, teoriza Karina. Apesar de baseados muito mais na confiança, os sites adotam alguns procedimentos de segurança. O Hospitality Club, por exemplo, exige número do passaporte no cadastro e os anfitriões são orientados a conferir o<br />
documento dos hóspedes no momento da chegada.</p></blockquote>
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		<title>Miseráveis desqualificados</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Apr 2006 22:25:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>inaciog</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao que tudo indica José Serra foi altamente competende na sua intenção de, mesmo fora, fazer com que Gilberto Kassab mantenha seu jeito de governar na prefeitura de São Paulo. A caça aos desqualificados encontrou mais um alvo: os miseráveis. Foi extinto o programa de emprego de pessoas carentes desempregadas e moradores de rua, criado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a target="_blank" href="http://www.flickr.com/photos/dgrblog/51954361/"><img border="0" id="image99" alt="MisÃ©ria desqualificada" src="http://www.nacio.com.br/blog/wp-content/uploads/2006/04/51954361_2002a2964f.jpg" /></a></p>
<p>Ao que tudo indica José Serra foi altamente competende na sua intenção de, mesmo fora, fazer com que Gilberto Kassab mantenha seu jeito de governar na prefeitura de São Paulo.</p>
<p>A caça aos desqualificados encontrou mais um alvo: os miseráveis. <a target="_blank" href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1504200601.htm">Foi extinto o programa de emprego de pessoas carentes desempregadas e moradores de rua</a>, criado na gestão de Marta Suplicy. O programa pagava uma bolsa de R$ 363,45 por seis horas diárias de trabalho a 3.500 trabalhadores, que faziam trabalhos como manutenção de vias públicas, parques e sinalização de trânsito, e foi extinto devido a uma &#8220;mudança de foco&#8221; da secretaria do trabalho.<br />
O novo foco da pasta do trabalho é na qualificação de pessoas desqualificadas (é isso mesmo, sem brincadeira), intermediação de vagas e microcrédito. Em suma, a mensagem é: &#8220;As vagas estão para todos. Vocês que não são qualificados ou não sabem procurar direito.&#8221;</p>
<p>O &#8220;divertido&#8221; é que, mais uma vez, a prepotência é instantaneamente desmascarada. Inicialmente, a prefeitura pensou em aproveitar a mão-de-obra barata e embolsar uma graninha. Da reportagem da Folha:</p>
<blockquote><p><em>No fim do ano passado, a prefeitura contratou sem licitação, por  quase R$ 1 milhão, a empresa da  mulher do secretário dos Transportes, Frederico Bussinger, para  treinar parte dos selecionados para fazer calçadas.</em></p></blockquote>
<p>E daqui a um mês os trabalhadores serão demitidos. Realmente, um excelente uso do recurso público. E o que ocorrerá com os trabalhadores? A reportagem quis saber da prefeitura altamente qualificada deixada por Serra:</p>
<blockquote><p><em> Indagado sobre qual seria o encaminhamento das pessoas que  estavam nas frentes de trabalho, o  secretário da Assistência Social,  Floriano Pesaro, disse que o assunto era incumbência da pasta  do Trabalho. Já o titular dessa secretaria disse que o problema era  da Assistência Social. A reportagem, então, voltou a procurar Pesaro, mas não obteve resposta.</em></p></blockquote>
<p>E fica por isso mesmo.</p>
<p>Se o PT cometeu o erro de se apresentar como guardião da ética, o PSDB agora está fazendo o mesmo com a competência. Mas com uma arrogância muito maior, típica de tecnocratas vingativos.</p>
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		<title>Pergunta sem resposta</title>
		<link>http://www.nacio.com.br/blog/2006/03/29/pergunta-sem-resposta-2/</link>
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		<pubDate>Wed, 29 Mar 2006 10:40:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>inaciog</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem, enquanto passava uma hora e quarenta e cinco minutos em uma fila embaixo do Sol para conseguir a segunda via de um bilhete único, me veio a pergunta, e de fato nenhuma resposta: O que a prefeitura Serra fez, até hoje, com o objetivo de melhorar o transporte público? ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem, enquanto passava uma hora e quarenta e cinco minutos em uma fila embaixo do Sol para conseguir a segunda via de um bilhete único, me veio a pergunta, e de fato nenhuma resposta:</p>
<p><strong>O que a prefeitura Serra fez, até hoje, com o objetivo de melhorar o transporte público? </strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Mercado da humilhação</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Mar 2006 17:34:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>inaciog</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Tem idéias simples que são realmente admiráveis. A prefeitura de São Paulo vem combatendo as incontáveis propagandas irregulares espalhadas pela cidade inteira em duas etapas: primeiro, coloca uma faixa enorme de &#8220;propaganda irregular&#8221; em cima da mesma, para depois remover e multar a empresa. É incrível como a quantidade é enorme. Segundo a Folha de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img width="266" height="354" alt="Até onde vamos?" id="image89" src="http://www.nacio.com.br/blog/wp-content/uploads/2006/03/37029096_5477db3075.jpg" /></p>
<p>Tem idéias simples que são realmente admiráveis. A prefeitura de São Paulo vem combatendo as incontáveis propagandas irregulares espalhadas pela cidade inteira em duas etapas: primeiro, coloca uma faixa enorme de &#8220;propaganda irregular&#8221; em cima da mesma, para depois remover e multar a empresa. É incrível como a quantidade é enorme. Segundo a Folha de S Paulo, cerca da metade dos outdoors são irregulares.</p>
<p>A inovação aqui é a idéia de humilhar publicamente a empresa que faz propaganda irregular. É ótimo. Ali, na frente da ponte Euzébio Matoso, na frente da sede do Unibanco, tinha uma placa grande dele. Toda metida a simpática (&#8220;nem parece que é banco&#8221;). Com uma tarja enorme em cima: &#8220;Propaganda proibida&#8221;. Fantástico. Acho que a poluição visual é um dos maiores problemas de São Paulo. Vamos ver se aquelas empresas metidas a responsáveis terão surpresas. E, pelo visto, boa parte dela é financiada por grandes empresas. Transformar esses outdoores em vidraças é um bom começo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Considerações após 9 meses sem carro</title>
		<link>http://www.nacio.com.br/blog/2006/03/06/consideracoes-apos-9-meses-sem-carro/</link>
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		<pubDate>Tue, 07 Mar 2006 01:48:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>inaciog</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.nacio.com.br/blog/2006/03/06/consideracoes-apos-9-meses-sem-carro/</guid>
		<description><![CDATA[Há cerca de 9 meses que deixei o carro de lado (a princípio por motivos financeiros, mas depois por opção), e hoje acredito ter uma idéia razoável de como é a vida sem carro. Afinal, tive carro desde que isso foi possível: minha carteira de motorista tem a data do meu aniverário de 18 anos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.nacio.com.br/blog/wp-admin/http3A2F2Fen.wikipedia.org2Fwiki2FGooglebomb"><br />
</a><a target="_blank" href="http://www.flickr.com/photos/gabao/15125504/"><img width="493" height="327" border="0" alt="Metrô Santa Cruz" id="image87" src="http://www.nacio.com.br/blog/wp-content/uploads/2006/03/metro.jpg" /></a></p>
<p><strong>Há cerca de 9 meses que deixei o carro de lado</strong> (a princípio por motivos financeiros, mas depois por opção), e hoje acredito ter uma idéia razoável de como é a vida sem carro. Afinal, tive carro desde que isso foi possível: minha carteira de motorista tem a data do meu aniverário de 18 anos.</p>
<p>Meu primeiro carro que andou mais de 50 km (afinal, o primeiro mesmo não durou nem um dia, pois fundiu o motor 2 horas depois da compra) foi um Voyage 1985 a álcool. Toda vez que ia ligá-lo tinha que abrir o capô,abrir a entrada do carburador e espirrar um pouco de gasolina lá dentro. Tinha até um spray de desodorante com gasolina num canto embaixo do capô. Andei horrores com ele. Morava em Campinas e voltava todo fim-de-semana para São Paulo. Fiz altas viagens (altamente perigosas) com ele, enfim, marcou. Eu me sentia de fato em um comercial de carro: <strong>me sentia livre, poderoso e adulto</strong>.</p>
<p>Depois, troquei por um Uno 0km. Com o dinheiro da venda do Voyage e mais um pouquinho, dei a entrada nesse e parcelei o saldo em 24 vezes. Paguei tudo em dia. Pagava também seguro. Pelo menos 50% (provavelmente mais) da minha renda ia para pagar o carro, o seguro e a gasolina. Mais uma vez, esse foi bem aproveitado também. Viajei para um monte de lugares com ele, dentro e fora do estado. Logo após quitar o carro, fiquei meio sem dinheiro, e não pude renovar o seguro. Não deu outra: roubaram o carro. Parece até que tinha alguém lá, espreitando, esperando eu não pagá-lo para roubar. E assim foi.</p>
<p>O que fazer? Comprar outro, oras! <strong>Afinal, viver sem carro em São Paulo é impossível, não?</strong> Comprei. E dessa vez a entrada foi menor, e a parcela do financiamento maior, assim como o seguro. Passei, basicamente, a trabalhar para pagar o carro. Ao mesmo tempo, usava-o cada vez menos. Não tinha mais que viajar todo fim-de-semana, e percebi que era mais prático ir ao trabalho de ônibus ou de bicicleta. Eu mal andava de carro durante a semana. Só fim-de-semana, e olhe lá.</p>
<p>Quando saí do trabalho para voltar a estudar, não pensei duas vezes: vou me livrar do carro. Até porque não tinha mais como pagar todo aquele pacote (financiamento, seguro, ipva, gasolina, manutenção, etc). Vendi. Nos primeiros dias, achei a coisa mais divertida do mundo. Tive uma sensação de liberdade diferente: não precisava estacionar em nenhum lugar. Não tinha que me preocupar com se o carro ia ser roubado. Não tinha que ficar atento ao trânsito. Meu corpo estava em contato direto com o ambiente, e não mais limitado por uma célula de aço. Isso e a sensação boa de ter um belo dinheiro a mais para outras atividades.</p>
<p>Uma coisa é fato, e eu percebi nitidamente. A sua relação com a cidade, com a rua, muda bastante. Aquela sensação de segurança que o carro proporciona é altamente traiçoeira e negativa. Pude perceber que, quando andava de carro, minha percepção da cidade era origem-via-destino. Ou seja, a cidade, exceto nos pontos de origem e de destino da sua rota, passa a ser apenas uma via de acesso. Com isso, você quer, cada vez mais, que o caminho seja mais curto e rápido. Mas esse &#8220;caminho&#8221; é a cidade em si. Ou seja, com o uso indiscriminado e dependente do automóvel que temos, criamos a tendência de criar cada vez mais vias expressas, grandes avenidas, viadutos, etc, que deixam a &#8220;via&#8221; (a cidade) cada vez mais cinza e impessoal. Assim, o caminho feito pelos automóveis vai levando, consigo, poluição, asfalto, viadutos e minhocões, que enfeiam a cidade, e fazem com que a visão que os motoristas têm da cidade seja pior ainda, levando-os a sentir-se ainda mais protegidos, dentro dos carros, daquele ambiente &#8220;hostil&#8221;.</p>
<p>Pois bem, ao passar à condição de pedestre, duas coisas mudaram: primeiro, a cidade passou a ter um aspecto mais humano. Vejo pessoas andando, cachorros, camelôs, árvores, diferentes tipos de calçada, trechos de conversas em um bar. Na verdade a cidade não é hostil, não. Aquelas pessoas andando à noite na rua deserta não são assaltantes que farão o primeiro pedestre de vítima. O cheiro da rua não é o mesmo do Tietê. Segundo, você percebe como uma calçada esburacada e mal-cuidada atrapalha. O quanto faz falta mais árvores. Anseia por menos poluição visual. Você fica mais cidadão, em suma. O bem-estar que você almeja é o que beneficia seus outros colegas de calçada. Uma calçada escorregadia te deixa preocupado com uma velhinha andando nela na chuva. <strong>O ponto em que quero chegar é: a partir do momento em que você não mais está isolado dentro de um carro, a melhora do ambiente comum passa a ser algo que você deseja.</strong><br />
Passemos agora ao transporte público. São Paulo tem a maior frota de ônibus do mundo. É um monte mesmo. Mas, mesmo assim, há uma certa unanimidade em afirmar que o transporte público em São Paulo é péssimo. Não vou dizer que é uma maravilha, porque realmente não é. Tudo leva mais tempo: primeiro esperar o ônibus chegar, depois,  o tempo dele andando, além do segundo ônibus que você provavelmente tem que pegar. Mesmo assim vou dizer, sem medo de errar: <strong>o maior problema do transporte público de São Paulo é o trânsito</strong>. Afinal, os ônibus têm cadeiras acolchoadas, tem linha pra tudo quanto é lugar, e, com o bilhete único, tem um preço razoável. O que, são muito lotados? <strong>Na Europa os ônibus que eu pegava eram tanto ou mais lotados que os daqui</strong>. O problema mesmo é a demora, causada pelo trânsito, que é causado pelo excesso de automóveis em circulação. Prova disso é ver que conheço gente, e já li que isso realmente ocorre, que tem carro mas prefere ir de ônibus quando o caminho é feito em um corredor de ônibus. Com eles, os horários dos ônibus ficam mais regulares e as viagens muito mais rápidas.</p>
<p>Se tem uma coisa que eu concluí nesses 9 meses é a seguinte: <strong>devemos promover uma profusão enorme de corredores de ônibus pela cidade</strong>. Todas as grandes avenidas devem ter corredores de ônibus. Não há cultura automobilística que resista a um meio de transporte mais rápido e prático, aliado a um transporte de carro mais lento.</p>
<p>Enfim, vou parar por aqui, pois este já deve ser o maior post que eu já escrevi. Só esclarecendo alguns pontos finais, não é que eu seja &#8220;contra carro&#8221;. Acho que usar carro como base do transporte em uma cidade como São Paulo algo simplesmente inviável. Em cidades menores pode até ser, mas nesse caso, por que não andar mais, ou bicicleta? Vejam a saúde dos holandeses! O carro é algo muito útil, e é bom ter um por perto em várias ocasiões. Mas por que não dar mais caronas? Nas saídas das casas noturnas a cena é sempre a mesma: um grupinho de 4 pessoas, cada um saindo com seu carro. O que custa dar uma carona uma vez e ganhar na outra? Outra: ao contrário de muitas pessoas, não acho que a solução para o transporte de pessoas no Brasil seja a volta dos trens de passageiros. Pra um país do tamanho do Brasil que além disso é geograficamente espalhado, é inviável. Acho que, para transporte de passageiros de longa distância a solução é uma combinação avião, avião-carro, avião-trem ou avião-ônibus.</p>
<p>E se vale a pena largar o carro? Para o dia-a-dia (trabalho, faculdade, etc), com certeza. Muito melhor ficar 1 hora no ônibus ouvindo seu iPod e pensando na vida que meia hora de stress. Para o fim-de-semana, se você puder pagar o taxi, tá feito. Senão, talvez um &#8220;carrinho de fim-de-semana&#8221; possa ser interessante. Eu tenho pensado em um fusquinha&#8230;</p>
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