Pela ciência open-source

Qual é a real beleza da foto acima (roubada de optik)? Certamente não são as cores isoladamente, mas sim essa mistura rica e caótica de cores, que dá um efeito tão agradável e provocador da imaginação. Pessoas diferentes vêm formas diferentes. Tudo isso devido à mistura e a interação entre as cores.
O mesmo ocorre com a ciência. Diferentes pensamentos, nas mais distintas tonalidades, são criados, se desenvolvem e interagem entre si, na tentativa de montar um quadro melhor do mundo e unverso em que vivemos. Mas para que isso ocorra de verdade, a interação, replicação e mistura devem estar presentes, de forma que o estudo de uma pessoa interaja e influa outros que vierem.
E nesse quesito a internet fez uma verdadeira revolução. Hoje você tem acesso (infelizmente não todos) a décadas de publicação científica à distância de uma busca. Um trabalho feito na Tailândia pode servir de base a uma tese no Brasil, um experimento feito nos Estados Unidos pode ser comparado a um semelhante feito na Russia sem nenhuma dificuldade. A redundância nos trabalhos feitos diminuiu, pois se alguém já fez ou está fazendo o que se pretende, pode-se mudar o enfoque e enriquecer a ciência.
O problema das publicações científicas, no entanto, é que em geral elas não dão dados suficientes para a replicação do que foi feito, e muitas vezes isso nem é por culpa dos autores, mas devido à falta de espaço. Outros, no entanto, se aproveitam desse fato para divulgarem resultados “adaptados” à realidade desejada. E o argumento geral é que não haveria espaço para divulgar os enormes pormenores da pesquisa.
Pois bem, anos passaram, a internet é uma realidade há um bom tempo. Hoje em dia, ao entrar na página de um pesquisador, você em geral tem acesso a todos os artigos escritos por ele. Poucos, no entanto, disponibilizam as ferramentas e dados para que os experimentos sejam replicados ou alterados.
Esse deve ser o próximo passo. A ciência open-source. Não apenas os artigos resumidos devem ser disponibilizados, mas sim todos os dados necessários para a verificação do trabalho, e, principalmente, a utilização rápida e segura desse trabalho como base. Espaço não falta mais. Os artigos deveriam ter sempre o endereço na internet onde o leitor poderia obter todas as informações, dados, programas, etc, para utilizá-lo como base.
Acredito fortemente que esse é o caminho certo. A última coisa que a ciência pode fazer é guardar segredos. E sua riqueza aumenta conforme a comunicação, a interação e a incorporação aumentarem também.
23. November, 2006 at 09:04
nácio, é “vêem”, de ver, e não “vêm”, de vir.
beijocas