USP em greve: funcionários cada vez mais dispensáveis
Semana passada começou a já tradicional greve quase-anual dos funcionários da USP. Na entrada da faculdade a placa dizia em letras garrafais: USP EM GREVE. O fato, porém, é que mal se nota diferença na universidade. As aulas continuam, as salas abertas, as faculdades tão cheias quanto o normal. O que faz falta mesmo é o bandejão (apesar de que o da química, que é terceirizado, parece que continua funcionando).
Imagino que há alguns anos uma greve de funcionários nas universidades praticamente paralisava as atividades da mesma. Porém, com a freqüência anual das greves, a universidade foi se adaptando cada vez mais à falta desses funcionários, e cada vez mais serviços essenciais, como segurança, vão sendo terceirizados.
Ou seja, essa dinâmica em que a universidade pública está, de greves constantes, está tendo um efeito bem diferente do almejado pelos funcionários. Os sindicatos, atrasados e enferrujados, estão mais preocupados em se colocar em evidência para seus sindicalizados do que de fato ajudando-os. E estão fazendo o “serviço neoliberal terceirizador da reitoria” eles mesmos.
Concordo que a terceirização tenha efeitos negativos, como redução do nível salarial, mas também acredito que, diante da falta de verbas e mudanças nas relações trabalhistas, uma atitude menos conservadora, míope e egoísta dos sindicatos seriam fundamentais, mudando o tipo de relação que mantêm com a reitoria.