Podem as redes sociais melhorar o trânsito?
Algum tempo atrás, eu e um amigo tivemos uma idéia que parecia bem interessante: lotações super-inteligentes. O nome eu acabei de dar. A idéia consistia em diversas peruas de transporte circulando pela cidade constantemente, ligadas por uma rede sem fio e com minicomputadores de bordo com GPS. Com isso você poderia criar um híbrido entre taxi e ônibus, da seguinte forma:
- Eu desejo ir ao cinema. Entro no site da empresa transportadora e informo o ponto de partida (minha casa), o destino (cinema) e a hora em que quero sair de casa.
- O sistema central possui, o tempo todo, a localização exata e a rota que cada uma das “peruas” está seguindo. Nesse momento, é feito o cálculo de qual seria a melhor perua a te pegar em casa no horário combinado e te deixar na porta do cinema. Se bem feito, o sistema poderia te dar diversas opções de duração da viagem, dependendo da perua, quantos lugares livres ela possui, a rota que cada uma faz e qual seria o custo, e assim, a tarifa a ser cobrada para cada caso.
- Clico na minha opção, com a certeza de que no horário combinado a perua estará na porta de casa e, apesar de provavelmente não fazer um caminho direto para o cinema, terei uma certa previsão da hora em que chegarei no destino, com um conforto semelhante ao de um carro.
A rota de cada perua seria atualizada constantemente com as solicitações dos usuários, e com isso você poderia minimizar o trajeto de cada perua, apesar de efetivamente fazer o caminho completo de cada um dos viajantes.
Revendo hoje a idéia, continuo achando muito interessante. Acredito que o grande motivo que faz com que as pessoas não utilizem o transporte público é o fato de ele não te buscar na origem e não te deixar exatamente no destino.
A idéia que vou apresentar agora, no entanto, é um pouco diferente. No caso acima, estamos falando de uma empresa de transporte. Acho, no entanto, que as coisas poderiam ser até mais simples. Quando você anda em São Paulo, percebe que a maioria dos carros é ocupada por apenas um passageiro: o próprio motorista. Não é à toa que o trânsito é caótico: uma frota de 5,5 milhões de automóveis não anda, por melhor que seja o planejamento viário. Vale lembrar que, em São Paulo, vale o rodízio, ou seja, na prática 1/5 dos carros não rodam durante os horários de pico. Imagine como seria sem o rodízio…
Sei que muitas pessoas querem porque querem andar no seu próprio carro. Muitas outras, no entanto, topariam outra forma de transporte que desse um conforto parecido. A carona seria uma solução excelente, mas é muito pouco comum. Por que será que é tão incomum? Uma possibilidade é que seja algo pessoal. Contra esse problema não tem muito jeito não (fazer o quê, pessoas anti-sociais existem). Acho, no entanto, que o problema em muitos casos pode ser de coordenação.
Se conseguíssemos ter controle constante das rotas de cada veículo da cidade, poderíamos criar um sistema quase “perfeito” de caronas: você informa de onde para onde quer ir que o sistema se encarrega de atribuir “um carona” para você. Isso, é claro, é uma utopia. Uma das maiores razões seria porque as pessoas não se sentem muito à vontade em dar carona para estranhos (e nem em pegar). Aí é que podem entrar as redes sociais.
Em redes sociais, como o Orkut, você está ligado a um círculo de pessoas que você conhece, e, provavelmente, confia o suficiente para dar/receber carona. Esse pode ser o pulo do gato. Às vezes, é bem possível que dentre as várias pessoas que você conhece, mas não necessariamente tem contato constante, uma delas faça um trajeto diário para o trabalho que seja parecido com o seu. O sistema faria com que vocês soubessem do fato, algo que poderia nunca acontecer. Quando eu estudei na Unicamp, por exemplo, eu voltava todo o fim-de-semana para São Paulo. No começo eu voltava de ônibus, mas descobri que um colega meu morava pertinho de casa. Várias vezes um deu carona para o outro. Carona é uma coisa que é sempre boa, ainda mais com alguém que você conhece: você divide os custos e ainda tem uma companhia para conversar.
Enfim, dada a idéia, a implementação é óbvia: todos cadastram os percursos diários e/ou semanais que fazem (essa informação pode ser confidencial sem problemas), e o sistema verifica possibilidades de carona entre os pertencentes a um mesmo círculo social. Os felizardos são avisados da possibilidade e o resto é com eles.
13. October, 2004 at 21:40
meio complexa essa idéia, mas um tanto quanto interessante (e vc disse q não achava q era do meu interesse, hehe)
o sistema de trasnsporte é meio caótico msm. aqui em londrina custa caro. às vezes vc não fica nem 10 minutos dentro do ônibus. ir à pé? às vezes isso demora muuuuuuuito mais.
e carona… acho q o lance é um pouco além de ser ou não anti-social. rola muito de humor, de dia, da cara da pessoa. às vezes, pegar ou dar carona é ok, mas outras…