A fúria da natureza
Esse nome para o blog surgiu assim do nada. Era uma frase que tenta passar a idéia de liberdade, calma e desbravamento. Hoje, porém, o nome pareceu algo profético.
Hoje foi meu último dia em Amsterdam e na Europa. Enfim, um dia a aproveitar. Como ontem tinha sido muito legal andar de bicicleta, pedi pro Marteen uma dica de um trajeto mais longo para percorrer. Ele então pegou o mapa e mostrou um trajeto muito legal: saindo de Amsterdam, eu seguiria por uma via por cima dos diques até uma ilhota chamada Marken, uma vilinha de pescadores com casas bem antigas e típicas da época. 20 km até lá, nada de mais, afinal aqui é tudo plano. Como isso parecia pouco, depois eu iria fazer um caminho pelo norte, passando por mais umas 4 ou 5 cidades. Parecia ótimo.
O tempo tava feinho mas não tava chovendo. Coloquei a roupa para andar de bicicleta na chuva (também gentilmente emprestada pelo Marteen) e fui embora. Em um ritmo beeem tranquilo cheguei lá em 1 hora. Foi fácil demais, pensei. O cenário tava ótimo. Sem chuva nem sol (que poderia cansar mais facilmente), e eu estava cheio de disposição. Fiz um lanche em Marken e fui pegar o tal barco que atravessaria o lago até uma outra cidade, seguindo o roteiro planejado. Fui ver e, infelizmente, o preço era muito salgado (considerando que aqui em Amsterdam sobrevivi só com o dinheiro das refeições). Concluí que seria melhor dar a volta por terra mesmo.
Assim que saí de Marken, pegando a mesma estrada que usei para chegar lá, um vento estupidamente forte passou a bater do Sul para o Norte. Eu, obviamente, estava indo do Norte para o Sul, o que fez com que o vento não fosse assim tão bem-vindo. Achei que fosse algo temporário e, mesmo sem conseguir andar na bicicleta (a força do vento era tanta que eu não saía do lugar), fui andando e empurrando a bicicleta. Me sentia em um daqueles filmes de escalada do Everest.
O problema é que não era um ventinho passageiro. Tratava-se de uma forte tempestade, que agora eu sei, trouxe ventos de até 120 Km/h. Isso tudo em um país totalmente plano e no meio do nada, onde eu estava. Acho que vou mandar agora uma foto minha nesse momento. Não havia ninguém na estrada, exceto alguns carros eventuais. Este site mostra a reportagem. As pessoas foram avisadas a não sair de bicicleta, etc. Bom, não me avisaram de nada, hehehe…
Enfim, eu levei algo como 3 horas e meia para voltar para Amsterdam. Quando eu tentava subir na bicicleta era praticamente jogado para trás. Tinha momentos em que mal conseguia andar para frente. Foi pura loucura. Ah, e nenhuma alma viva aparecia. Tive só a sorte de, em uma das casinhas do caminho (o que havia no caminho eram fazendas), ter achado uma pessoa para beber água. Essa foi realmente uma aventura.
Estou agora beeem tranquilo “em casa”, no conforto do lar (alheio, ok, mas lar). O passeio foi muito bom e exercitou bastante (quando cheguei percebi que a calça que usei tava totalmente enxarcada de suor), mas agora quero mais é uma caminha.